quarta-feira, 18 de janeiro de 2012



COLETA SELETIVA EM SÃO PAULO PEDE ADEQUAÇÃO
O papel das subprefeituras na mudança de rumos.

Desde 2002, a Prefeitura de São Paulo organiza o Programa de Coleta Seletiva. Conforme dados extraídos da página do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb), dentro do próprio site oficial daquele órgão, dos 96 distritos existentes no Município de São Paulo, 74 são contemplados pela Coleta de Materiais Recicláveis, que é realizada pelas Centrais de Triagem e concessionárias (fornecedoras de caminhões de transporte de lixo) e chega a coletar, porta a porta, em média 155 toneladas por dia de material reciclável. São mais de 20 cooperativas de catadores, instaladas em centrais de triagem totalmente equipadas com esteiras elétricas, prensas e empilhadeiras. Todas possuem caminhões para a coleta e para a comercialização dos recicláveis entre as empresas.
Em relação aos Pontos de Entrega Voluntária (PEV), ainda conforme a Prefeitura de São Paulo, somam 3.811, instalados em estacionamentos de bancos, supermercados, escolas municipais, estaduais e particulares, universidades, condomínios e parques. Cerca de 1.871 condomínios residenciais, com 2.876 contêineres instalados, também participam do Programa de Coleta Seletiva. O site do Limpurb divulga um telefone para a população interessada no programa criado para essa finalidade, o Alô Limpeza (11) 3397-1723/24.
Ora, então onde está o problema? Você, que mora em São Paulo, já ouviu alguém questionar se há coleta seletiva no seu bairro? Faça um teste e pergunte para 10 pessoas que você conhece se o serviço existe na rua onde moram. Não estranhe se você se deparar com pessoas que sequer sabem que o programa de coleta seletiva existe e como funciona - mesmo diante das informações disponíveis, como as que acabamos de pesquisar no site oficial da Prefeitura Municipal de São Paulo.
Ao menos sobre coleta seletiva, posso falar com propriedade. Estou nessa área desde 1995.  Com formação em tecnólogo em gestão ambiental, auditor ambiental e especialista em saneamento ambiental, tive a oportunidade de coordenar o Programa de Coleta Seletiva da Prefeitura de São Paulo, por meio do Limpurb, entre 2005 e 2007. Lembro que durante esse período, mantinha uma relação estreita com as cooperativas de catadores. Todos os meses, fazíamos reuniões para ouvir as propostas dos cooperados. Foi nessa época que a cooperativa de Pinheiros teve que sair da área do antigo incinerador da Prefeitura, na Rua Sumidouro, para dar lugar ao parque Victor Civita. Foi negociada durante um longo período a transferência daquela estrutura e sua equipe para a Usina de Compostagem da Vila Leopoldina, com sucesso. Outro caso importante se deu em Pirituba. A cooperativa que existia em 2005 não estava cumprindo os termos do convênio com a Prefeitura e fomos obrigados a cancelar essa parceria. Participamos da criação de um novo grupo e o resultado é a Crescer, hoje uma cooperativa-modelo. Um de seus maiores feitos foi a coleta seletiva organizada no Sambódromo paulistano, durante os desfiles de Carnaval de 2007, motivo pelo qual a cooperativa, desde então, é convidada pelo Anhembi para organizar a sua coleta. 
Ainda naquele período, o governo municipal tinha o objetivo de desocupar a área onde a Coopamare (a primeira cooperativa da cidade, fundada em 1989) funcionava, sob a ponte da avenida Sumaré. Pela simples questão de respeito a um trabalho sério e organizado, fui um defensor da manutenção do grupo no local. O Movimento Nacional de Catadores foi incluído no debate para participar das idéias e propostas. O objetivo era estreitar o laço com os parceiros estratégicos (catadores, empresas,associações, cooperativas) para o sucesso do programa.
Ainda para ilustrar a minha passagem pelo Limpurb, lembro que fui representar a Prefeitura de São Paulo em dois eventos sobre gestão de lixo e coleta seletiva. O primeiro evento foi em Porto Alegre e o outro, na Argentina. Apresentei os slides com os dados do programa em São Paulo. Apenas números. Em seguida, falei sobre um modelo mais coerente de coleta seletiva para a Cidade, em que cada Subprefeitura pudesse fazer um levantamento do cenário atual do lixo na sua região e a Prefeitura, a partir dessas informações, planejasse a gestão ambientalmente adequada. Foi o suficiente para despertar interesse do público presente.
Hoje, outros temas transpassam por esse contexto, como a proibição do transporte de caminhões em algumas ruas da Cidade. Um caso conhecido é da ANAP (Associação Nacional de Aparistas), que busca um entendimento com a Prefeitura de São Paulo para que seja criada uma solução para a circulação de caminhões com aparas de papel. São toneladas de material que deixam de ser coletados por conta da restrição. Mas se por um lado é um serviço essencial, por outro, os caminhões pioram o congestionamento e a poluição na Cidade.
A coleta seletiva é um tema que permeia qualquer conceito de sustentabilidade. Para ilustrar e contribuir com a discussão, é preciso lembrar que, em breve, teremos a RIO+20, evento que trará como temas a economia verde e o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza. A coleta seletiva está no centro desses conceitos. Pois ela traz recursos financeiros para os cooperados, aquece o mercado dos recicláveis (quem sabe um dia o Governo Federal dê incentivo fiscal e isenção de impostos para empresas deste segmento?), gera trabalho e renda e abre oportunidade de trabalho para pessoas em situação financeira grave, como ex-presidiários, adolescentes e idosos. As cooperativas, bem organizadas, abrem espaço para esses cidadãos, diminuem a quantidade de lixo que iria para os aterros e geram matéria-prima que podem ser reutilizada no processo industrial, reduzindo energia, água e o uso de recursos naturais.
Soma-se a todos esses comentários a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que chama a atenção da Prefeitura, empresas e munícipes para a organização do lixo urbano. Nela, está inserida, inevitavelmente, a coleta seletiva, como uma das metas para a implementação dos Planos de Gestão Integradas dos Resíduos por ser um trabalho fundamental. Sem coleta seletiva, a PNRS só existiria no papel e sem coleta seletiva, muitos municípios não terão acesso aos recursos da União.
A Prefeitura de São Paulo, porém, tem mostrado que ignora essas vertentes e tem levado o programa de Coleta Seletiva de São Paulo de forma inadequada. Simplesmente porque a cidade é gigantesca e abriga diferenças gritantes que precisam ser consideradas. Os grupos que realizam a coleta seletiva, na sua maioria, defendem que o Programa de Coleta Seletiva em São Paulo terá resultados positivos a partir do momento que a sua organização se der por meio das subprefeituras. A lógica é que cada região da metrópole tem uma realidade. Não podemos imaginar, por exemplo, que uma região que concentra muito comércio gere o mesmo tipo e quantidade de lixo de uma área essencialmente residencial. Que a subprefeitura de Perus tenha as mesmas características, necessidades e demandas que a subprefeitura da Sé. Tampouco, que Parelheiros tenha o mesmo perfil de geração de lixo que a região da Paulista. A Prefeitura deveria adotar um sistema de organização adequado a cada local e fazer um levantamento da situação de cada uma das 31 subprefeituras quanto a esse quesito.
Há, sim, coleta seletiva em São Paulo. Apenas é maldividida, maldivulgada, mal-organizada e maldistribuída. É preciso coragem para descentralizar o serviço, apostando nas subprefeituras e com parceiros fundamentais, para que cada região tenha um programa à altura de suas características.

Jetro Menezes, 43 anos, Gestor e Auditor Ambiental, especialista (Latu Sensu) em Saneamento Ambiental. Responsável pela JetroAmbiental Consultoria (www.jetroambiental.com.br). Foi coordenador do Programa de Coleta Seletiva da Prefeitura de São Paulo e atualmente é Diretor de Meio Ambiente da Prefeitura de Franco da Rocha.         

terça-feira, 12 de abril de 2011

VEJA O ÁLBUM DO ENCONTRO DE GESTÃO AMBIENTAL - 09 DE ABRIL DE 2011

Estão são as fotos do nosso Encontro! Foram palestras, oficinas, sorteios e outras atividades para um público variado, formado por estudantes, professores, gestores, empresários, políticos, entidades e cooperativas de reciclagem. Confira! 


Crédito: Mila Maluhy

segunda-feira, 11 de abril de 2011

ENCONTRO DE GESTÃO AMBIENTAL - 1

Público variado, assuntos relevantes e troca de informações marcaram o Encontro de Gestão Ambiental, realizado pela Jetro Ambiental no último dia 09 de abril, em Mairiporã.

Na recepção, a bela paisagem do Instituto Mairiporã e o bom humor da personagem Maria do Lixo, uma criação da atriz Rosana Ribeiro, contando estórias e interagindo com o público que chegava: professores, políticos, funcionários públicos, cooperados, representantes de comunidades, artistas, gestores ambientais, representantes de instituições ligadas ao meio ambiente e de empresas.

Na primeira palestra, o diretor do departamento de Meio Ambiente da Fiesp - Federação das Indústrias do Estado de S. Paulo, Mario Hirose, explicou que as indústrias aderem cada vez mais a práticas para diminuir os impactos sobre o meio ambiente e fazem mais investimentos na área, como por exemplo, no treinamento de funcionários, na diminuição de consumo de água, no uso de fontes renováveis de energia ou fechando acordos para crédito de carbono.

Apesar dos bons resultados, o trabalho está só começando, explica Hirose. “Governo e empresas devem pensar continuamente de que forma a economia pode continuar crescendo, com geração de empregos, sem deixar de agir de forma ambientalmente correta.. É muito bom que tenhamos uma legislação como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, mas agora, cada setor vai ter que se adaptar às novas regras. É uma nova oportunidade que o país oferece para crescermos de forma sustentável.”


Fotos: Mila Maluhy

ENCONTRO DE GESTÃO AMBIENTAL - 2

Autoridades locais deram suas opiniões sobre o assunto. O prefeito de Mairiporã, Antonio Aiacyda, destacou a necessidade de maior envolvimento das pessoas nas causas ambientais.

O secretário de Meio Ambiente da cidade de Caieiras, Bonfiglio Alves Ferreira, comentou que a sociedade deve cobrar mais do governo para ter resultados e mais investimentos. “Se não houver demanda, se não houver pressão da sociedade, os investimentos nessa área serão sempre pequenos”. Para Anésio de Campos, da Uvesp – União dos Vereadores do Estado de São Paulo, a estrutura de governo ainda está defasada e são necessárias mudanças culturais. Manoel Padreca, consultor da ANAP, entidade dos aparistas de papel, enfocou a importância da mudança de comportamento.
Para propor mais reflexão sobre o tema, os participantes assistiram ao premiado documentário “Efeito Reciclagem”, dirigido por Sean Walsh, que ainda não chegou aos cinemas.
O artista audiovisual e coordenador de toda a produção do filme, Manu Muniz, estava lá e conferiu a reação das pessoas ao conhecer a história de Claudinês, um homem que vive da venda de material reciclável recolhido nas ruas e estabelecimentos comerciais e tem mais de 20 filhos.

ENCONTRO DE GESTÃO AMBIENTAL – 3

A palestra do secretário de Meio Ambiente do Município de São Paulo, Eduardo Jorge, mostrou os desafios da administração, como a falta de sincronia entre as secretarias, mas também algumas das ações importantes do atual governo, como o aproveitamento do gás metano de dois lixões da cidade para produção de energia. Ele enfatizou a importância de buscar a redução de resíduos e o equilíbrio entre os aspectos econômicos, sociais e ambientais dos municípios. Lembrou que apenas um quinto dos 5500 municípios brasileiros têm secretarias de meio ambiente e que o orçamento para essa pasta é em média de apenas 0,4% do total.
Eduardo Jorge respondeu ainda a algumas perguntas, incluindo as de componentes da mesa. A representante da Coppercose, Luzia Maria Honorato, perguntou ao secretário sobre uma área prometida pela Prefeitura para sua cooperativa e o secretário respondeu que em São Paulo esse tipo de área passa por muitos critérios antes de ser definido. O consultor da Anap comentou sobre a necessidade de discussão sobre a legislação relacionada à circulação de caminhões. Jeomar Bello Alves, do serviço funerário da Prefeitura de São Paulo, mostrou que a preocupação com o meio ambiente inclui, sim, os cemitérios da cidade, e a busca por uma gestão cada vez mais adequada às normas ambientais.

ENCONTRO DE GESTÃO AMBIENTAL – 4

Terminadas as palestras, hora de sortear alguns brindes e conhecer as oficinas de material reciclado, como a de brinquedos com garrafa PET e a de reaproveitamento de câmeras de pneus na confecção de objetos personalizados, ministradas pelo artista Germain Tabor, do Movimento Eco-Cultural. Várias participantes saíram de lá mostrando os porta-moedas e porta-cheques personalizados que fizeram.

No final, muitos contatos e conhecimentos novos, certificados entregues e um café para encerrar. Assim como as outras refeições, tudo foi feito pela equipe do restaurante Império Gastronômico, de Franco da Rocha. O encerramento foi feito com a música de Haroldo Oliveira. Alguém tem dúvida de que as pessoas gostaram do encontro?

Na opinião do coordenador Jetro Menezes, o encontro atingiu o seu objetivo. “Essa era a nossa idéia, trazer todo o tipo de pessoa. Gestão ambiental é isso, envolve todos os setores da sociedade. Ninguém esperava que tivesse um representante da funerária para falar de gestão ambiental nos cemitérios, por exemplo. Fiquei feliz porque todos gostaram do lugar, das palestras, das oficinas, do filme, da alimentação e da música ao vivo. Conseguimos agradar todos eles. E o melhor, as pessoas ao final do evento, perguntavam quando seria o próximo Encontro. Isso nós já estamos programando para o próximo semestre deste ano e a temática pode ser resíduos sólidos. Por enquanto, é isso. No mais, agradecemos a todos os que investiram algumas horas neste sábado para adquirir conhecimento e conhecer pessoas interessantes.”

terça-feira, 5 de abril de 2011

ÚLTIMOS DIAS DE INSCRIÇÃO!

O Encontro de Gestão Ambiental acontece neste sábado, 09 de abril, das 8h às 17h, em Mairiporã (SP). Faça sua inscrição e aproveite as promoções para grupos e estudantes da área!

São várias atividades:

  • palestras do secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Jorge, e Mario Hirose, diretor de Meio Ambiente da Fiesp.
  • exibição do filme "Efeito Reciclagem", de Sean Walsh, que já recebeu 6 prêmios em vários países
  • oficinas eco-educativas (papel reciclado e brinquedos de garrafa PET)  
  • sorteio de kits para papel reciclado (com DVD que ensina a técnica passo a passo, apostila, telas).
  • apresentação musical de Haroldo de Oliveira (MPB)

Voltado para estudantes, profissionais na área e interessados em geral, o Encontro propõe uma visão multidisciplinar sobre o assunto, com foco no papel atual e futuro do gestor ambiental, ligado a empresas, instituições e órgãos públicos e estudantes da área. Terá o diferencial de ser realizado longe do barulho da capital, em um ambiente inspirador: a sede do IM - Instituto Mairiporã Thomaz Cruz, que abriga colégio e faculdades em um local com grande área verde e construções históricas. Acesse as informações sobre como chegar.

Filme “Efeito reciclagem”

“Efeito Reciclagem” (Hauling), uma das atrações do Encontro de Gestão Ambiental,  dirigido por Sean Walsh, já ganhou 6 prêmios em vários países desde o ano passado. É um documentário que mostra a vida dos catadores de  material reciclável nas ruas e foi produzido em 2009. O personagem em destaque é Claudinês Alvarenga, que tem 27 filhos e sobrevive com a venda de materiais recicláveis, que carrega em sua Kombi, há mais de cinco anos.  Veja o trailer.

O gerente de produção do filme, Manu Muniz, também estará no evento!


I Encontro de Gestão Ambiental
Tema: Uma visão multidisciplinar da gestão ambiental nos setores público e privado.
Data: 09 de abril de 2011 (sábado)
Horário: Das 8h às 17h
Informações, Inscrições, dúvidas?

Tel.  11 2803-0092

Valor por pessoa:
R$ 200,00 (duzentos reais) – boleto ou depósito bancário para: Banco Itaú – Banco Itaú - Agência 8480 - conta corrente 03972-9

(incluso: café da manhã e tarde, almoço, oficinas, passeio, música, filme e certificado de participação).

Pacotes especiais acima de 5 pessoas.
Estudantes de Gestão Ambiental têm 20% de desconto.

ATENÇÃO: Interessados em utilizar o transporte gratuito que sai da estação de trem de Franco da Rocha até o local devem comunicar contato@jetroambiental.com.br ou pelos tels. 11 2803-0092 / 3022-8915 / 7243-2388.